We're all unplugged

terça-feira, julho 26, 2005

Rua da Palma

Percorri a Almirante Reis toda, desde a Alameda até à Rua da Palma. Há de tudo pela avenida fora, miséria humana-beleza humana, sopa dos pobres-cervejaria Portugália, cheiro de droga-cheiro de perfume,moveis em segunda mão-lojas de decoração. Na Rua da Palma fui parar a um restaurante indiano, era hora do almoço. Tinha mau aspecto à entrada, mas dentro estava a surpresa. Ambiente escuro,ventoinhas a rodar, guardanapos com cores suaves, o balcão era um electrico. A surpresa: uma velhota muito curvada, impecavelmente bem vestida, jóias, um chapéu digno de Ascot, vagueando pelo restaurante. A surpresa 2: a comida era boa, acima do esperado. Não tão surpreendente: a velhota estava a sentir-se muito sozinha, parecia ser velha conhecida dos simpáticos indianos, que insistiam para que ela se sentasse. Ela dizia que estava cansada de estar sentada. Mas sentou-se. Sentou-se também a patroa. Às tantas a velhinha geme/exclama "preciso de companhia". É triste. Aperta o coração. Felizmente chegaram reforços. Dois Elders, parece que chamados vieram partilhar com a velhota e a aparentemente patroa a mesa do almoço. Epá mas "Preciso de companhia", vindo da boca de uma velhota daquelas aperta o coração.Aperta.

domingo, julho 17, 2005

Nova Música

Mudei aqui a musica ambiente. Depois duma música da série "Neon Genesis Evangelion", chegou a altura de mudar. Chegaram os Muse, de quem eu gosto muito, por cortesia do microcuts.net, um site baril e que tem lá os instrumentais do álbum Absolution disponíveis. A letra da música está aqui.

segunda-feira, julho 04, 2005

sem pc

Estou lixado da vida!

ainda nao tenho o meu pc e continuo a postar directamente de cibercafes!
AHH, Vestia, fica sabendo que nao estas sozinho neste blog. O blog do coelho é o blog do coelho, o blog do orientador é este. Nao tenho vindo a este blog simplesmente porque nao o consigo ver :), nos computadores deste cibercafe nao consigo ver certos sites, e o unplugged é um deles, apenas posso postar algumas vezes, quando o pc me deixa, e nem da para comentar.

bem mas parabens ao blog, pelo seu primeiro ano. NAO DEIXEM ESTE BLOG MORRER.
quando eu meu pc voltar, vai ser um post por dia....vao ver....

hasta

domingo, julho 03, 2005

Depois de ti mais nada

Pois é, foi hoje o grande dia: Tony Carreira (merece formatação especial) deu um concerto em Mira-Sintra. Mais interessante ainda: eu estava lá! Isto porque eu não falto a nada que seja pitoresco, e melhor ainda, à borlieu(até falto, mas hoje fui porque tinha uma grande curiosidade). Aliás. começo a sentir necessidade de doses regulares de música ao vivo, e para satisfazer o corpo sujeito-me a tudo, até a assistir concertos da chamada música popular portuguesa.
Mas o Tony Carreira é algo mais do que isso. O Tony Carreira é, tal como disse lá o apresentador da festa, o Rei. E realmente só alguém da realeza para chegar num mini-autocarro e conseguir arrastar até um descampado poeirento em Mira-Sintra 15 mil pessoas (número atirado pelo apresentador que talvez tenha exagerado um bocadito mas não muito, já que à altura da entrada em palco do grande Tony o recinto, que era enorme, devia estar completamente cheio, e vendo também que o trânsito tinha um intensidade anormal nas artérias principais da Agualva e de Mira-Sintra antes do concerto).
A primeira parte foi assegurada por Tucha, uma cantora que surgiu com uns trajes estrategicamente curtos, calças justas, acompanhada de três bailarinas de trajes também provocatórios. Trocaram todas de roupa umas quantas vezes, e ela cantava cenas do género "teu suor, meu desejo", "uma ilha deserta não sei quê", coisas assim, com uma batucada no fundo e ritmos latinos, e umas mais calmas. Animou o público, fez o pessoal bater palmas. perguntou quem é que era do benfica, do sporting, do porto, mesmo só naquela de aquecer o publico, publico esse que queria era Tony. Também ela sabia isso e foi-se embora depressa.
O público era uma mescla curiosa. Eram às centenas as crianças às cavalitas dos pais, eram muitas as mulheres, também eram muitos os homens, havia pessoal como o que eu arrastei(eu arrastei 6 pessoas) para ali que estavam ali entre contrariados e divertidos, havia os típicos membros de gang tipicos da zona(só quando uns quantos passaram ao pé de mim senti o típico cheiro a ganza dos concertos a que costumo ir), havia fãs a sério, que tinham cânticos para o Tony, havia velhotes com as cadeirinhas de praia, velhas mais violentas que o pessoal do Heavy Metal e que me empurravam com violência para passarem, havia uma velhinha que me pisou ao de leve e pediu muitas desculpas(ora essa, isto é um concerto, pise-me à vontade).
O apresentador pede a duas crianças perdidas para irem ter com a mãe não sei aonde (a esta hora os miudos já devem estar num barco para serem vendidos para bifes em restaurantes na Tailândia) , avisa que está ali a TVI(ui), avisa que as luzes se vão apagar, alerta para o perigo, diz para termos cuidado, cuidado com as apalpadelas. Isto, meus amigos, é uma festa popular, uma grande festa popular. Fala também o presidente da junta, que faz agradecimentos, acho que no fim falou também o presidente da Cãmara(eu já lá não tava, ufa!). A política está em todo o lado.

Luzes apagadas, entra o grande Tony Carreira. Gritos de histeria, aplausos, enfim.
O homem canta que é um vagabundo do amor, canta que era uma criança numa aldeia que queria ser cantor, a banda acompanha-o( uma banda grande:saxofone, trompete, bateria, guitarra, baixo, duas vozes, percussão, teclas, e se calhar mais uns quantos), ele canta que depois de ti mais nada , que não desisto de ti, o público canta sempre com ele e bate palmas ao ritmo da música(homens, mulheres e crianças) Traz um impecável casaco vermelho que despe À terceira música, para ficar de camisa preta e calças de cabedal(!) pretas.
Trocaria mais tarde de roupa durante um longo interlúdio de guitarra e baixo à Guns'n'Roses, para um fato branco(do qual despiria o casaco mais tarde) e camisa azul.
Bom jogo de luzes, bom som, bom público, distribuição de autocolantes alusivos ao evento e final apoteótico com um fogo de artificio. A esta hora já estava distante já que dei de fuga durante o encore. Ainda assim, já o trânsito estava completamente entupido, como Mira-Sintra nunca vira antes, e ainda tinha ficado quase toda a gente junto ao palco.

Tudo isto no dia do Live8. Mira-Sintra podia ter participado, já que a mole humana aqui também era impressionante e o espectáculo não foi mau.

Ainda assim, para desintoxicar, cheguei a casa e fui ouvir um bocadito de Rufus Wainwright, só para prevenir danos posteriores.